terça-feira, 30 de janeiro de 2018

De onde vem o amor

Catedral São Pedro de Alcântara / Petrópolis-RJ
Foto: Bárbara Rocha




"Quando tudo parece ruir,
Quando as esperanças parecem não existir,
Olhe para o alto,
É de lá que vem a luz do Sol da Justiça.
Vem a luz,
Vem o calor,
Restaura a fé
E o amor.

Amor próprio,
Amor pelo outro.
Amor pelo Salvador.

É preciso continuar.
Continuar a crer.
Continuar a ver.
Ver o que ainda não existe.

Não existe aqui.
No mundo real.
Porquê vem de Deus.
Do sobrenatural!"



Clarissa Ramos - 12/01/18

terça-feira, 31 de outubro de 2017

500 anos depois da Reforma. O que mudou e o que precisa mudar.


"Estes que têm transtornado o mundo, chegaram também aqui" Atos 17:06b

Porque eu amooooo pregar o Evangelho da graça, da justiça, da restauração, da santidade.
Em 31 de outubro de 1517, o monge Martinho Lutero, pregou, na porta da Igreja de Wittenberg, 95 teses que dividiriam o mundo. Talvez ele não imaginasse o que aconteceria, mas aquele ato teve um grande poder de transformação. A Palavra de Deus, sobre graça e justiça, foi tão forte no espírito de Lutero, que abalou o mundo inteiro. E, hoje, podemos comemorar 500 anos da Reforma Protestante.

O desejo de Lutero era saber como se alcançava o perdão de Deus. Naquele momento, a Igreja Católica vendia as indulgências, o "perdão de Deus". Ao ler a carta de Paulo aos Romanos, o monge foi confrontado, e viu que o que acontecia não era bíblico. Assim, escreveu seu texto chamando os homens ao arrependimento e denunciando as deturpações do Evangelho que estavam acontecendo naquele período. Em sua pregação, também enfatizava a salvação pela fé. A livre interpretação da Bíblia, até então proibida pela Igreja Católica, foi outro ponto importante nas transformações que Lutero provocou no mundo. O monge não desejava sair da Igreja, mas como não mudava suas opiniões, foi excomungado e expulso pelo Papa Leão X. 

Divulgação da Palavra de Deus

A máquina de Gutenberg, invenção recente na época, colaborou na divulgação do material luterano. Também possibilitou a impressão da primeira Bíblia, já que uma das grandes contribuições de Lutero foi a tradução da Bíblia do latim para o alemão. Isso deixou o cristianismo mais acessível e menos hierárquico, pois a Palavra de Deus agora estava disponível para mais pessoas. Assim, o protestantismo pode se proliferar na Europa. 

As grandes mudanças sociais

O protestantismo valorizava o trabalho e o acúmulo de riquezas. Isso libertou a burguesia das proibições eclesiásticas das práticas comerciais e bancárias. "A ética protestante e o espírito do capitalismo", do sociólogo alemão Max Weber, se tornou um clássico. 

A livre interpretação da Bíblia também pode ser compreendida como uma manifestação típica do individualismo do homem renascentista. 

A Reforma também atendeu a interesses políticos de príncipes de monarquias europeias que desejavam maior autonomia em relação à Igreja Católica. A Reforma Anglicana na Inglaterra, por exemplo, confiscou os bens da Igreja e do clero e o rei passou a ser o chefe da igreja.


Imagem do blog 
Cosmovisão Bíblica - discípulo historiado








De acordo com Lutero: "O melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui muitos homens bem instruídos, muitos cidadãos ajuizados”. A educação também sofreu transformações com a Reforma Protestante. 

Fontes: Vestibular.uol e Portal Metodista

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Dito isto, c
hegou o dia em que se completam 500 anos da Reforma Protestante. É para comemorar, mas também para refletir. Chegamos até aqui. Tanto a avançar, não somos dos que retrocedem na fé, mas precisamos voltar ao primeiro amor. Amor simples, da graça, da justiça, da fé, da esperança. Amor de Cristo. Amor Daquele que nos amou primeiro! 


A Igreja nos dias de hoje, diferente do que Paulo fala aos Romanos, tem se moldado ao mundo. Pensamentos moldados aos pensamentos do mundo. Não temos mais uma Igreja Católica tão forte e centralizadora como aquela, mas temos o espírito mundano que nos cerca todo tempo. 

Sinceramente, não sei se Lutero estaria tãããooo feliz com os resultados da Reforma hoje. Sim, temos uma liberdade que não existia. Liberdade de culto e de interpretação da Palavra de Deus. No entanto, muito precisa ser novamente reformado. Voltar ao primeiro amor e reformar a visão do Evangelho. Do Evangelho puro e simples de Jesus, do amor que Ele tem por nós e não pede nada em troca, a não ser nosso coração. Nossas vidas que devem ser entregues a Ele, não nossos bolsos. Ele não pede rituais, Ele pede um espírito quebrantado de um verdadeiro adorador. Ele não pede festas, congressos e grandes eventos, Ele pede a porta do quarto fechada e uma oração sincera. 

Lutero tinha o início de uma tecnologia para imprimir documentos que transmitissem aquela mensagem e mudou o curso da História. Nós temos televisão, rádio, computadores, internet e tudo mais que necessitarmos e não pregamos ou pouco o fazemos. Temos tanto a fazer ainda e tanto a mudar. Temos que nos preparar. Ele está voltando e somos nós que iremos preparar o caminho. Que possamos abrir uma nova fase na História da Igreja: a fase da Noiva imaculada que recebe o Noivo, Jesus Cristo. 


"Deus cria a partir do nada. Portanto, enquanto um homem não for nada, Deus nada poderá fazer com ele." 
Martinho Lutero

terça-feira, 5 de setembro de 2017

"Raising Hope" - comédia leve e deliciosa

"Raising Hope" foi transmitida pela Fox entre 2010 e 2014. Hoje está disponível na Netflix.

O que me faz trazer essa série para indicar para vocês é o fato de ser muito "leve". É deliciosa em vários sentidos. E tá na Netflix ;)

O seriado conta a história da família "Chance". Uma família com poucos recursos e nenhuma "noção". Jimmy é filho de Burt e Virgínia, um casal que engravidou na adolescência, cresceram juntos, mas não amadureceram. Moram de favor com a avó de Virgínia, mais conhecida por Maw Maw. Certa noite, Jimmy sai em sua van, para buscar um sorvete. No caminho, uma moça aparece correndo de um homem. Ela abre a porta, entra na van e Jimmy salva a jovem, levando-a embora. Ao parar o carro, passam a noite juntos. 

Pela manhã, na mesa de café, a moça levanta para ir ao banheiro. Naquele momento, a família descobre através do telejornal, que recebiam uma serial-killer e chamam a polícia. Meses depois, ela chama Jimmy na cadeia e revela que está grávida, condenada à cadeira elétrica e que ele deveria ficar com o bebê, quando chegasse a hora da condenação. E Hope chega na família, primeiramente com outro nome, que vou deixá-los saber qual é, assistindo a série. O problema todo começa pelo fato de que a família não estava preparada para receber um bebê, nem física, nem emocionalmente. E a evolução dessa "criação" é que norteia a história. 

Em cada episódio, algo acontece. Sempre somos surpreendidos. E na Netflix, é fácil maratonar o seriado. São quatro temporadas, cada uma com 22 episódios de 22 minutos, que passam rapidamente (acabei rapidinho). Os personagens interagem com outros, que complementam a história. Diversos temas são abordados e, mesmo com o tom de comédia, assuntos importantes, como racismo, Mal de Alzheimer, família e, principalmente, o amor, são colocados de forma delicada. 

Apesar das loucuras que acontecem durante a vida de Burt e Virginia, em especial na criação de Jimmy, a família se ama e não consegue se separar. Jimmy trabalha em um mercado, onde conhece Sabrina e os outros personagens e onde se passa boa parte dos acontecimentos. Cada ator dá seu brilho para a série. As atrizes (são gêmeas) que interpretam a Hope, são lindas, mas não vejo assim tanta graça. Percebemos os cortes que são feitos na edição para conseguir captar as reações da menina. No entanto, os outros atores são brilhantes. Tentei escolher um, mas não consegui. Cada um me conquistou de alguma forma.

É uma comédia sem a pornografia e palavrões exagerados que vemos por aí. É leve e inteligente. Para mim, lembra "The Middle" (que por não estar na Netflix eu acabei abandonando). Não posso contar muito. Assista e me conte o que achou. Se eu contar tudo aqui, perde a graça. E com certeza você irá rir e se divertir muito com "Raising Hope". 


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Atypical: sensibilidade na nova série da Netflix

Fonte da imagem: Google
A Netflix lançou mais uma série original. O serviço de streaming anda lançando tantas que não dá nem tempo de ver todas, não é? Mas essa eu indico demais. É bem rapidinha. Como estou de férias, terminei em dois dias. Está na primeira temporada e espero que seja renovada, apesar da Netflix nos matar de tanto esperar... Possui apenas oito episódios de meia hora. Não falei que é rapidinho? Você nem vai sentir o tempo passar. 

A temática

Apesar do tema denso, a série mescla tons de drama e comédia na medida certa. “Atypical” trata da vida do adolescente, quase adulto, Sam Gardner (Keir Gilchrist), dignosticado com Síndrome de Asperger, que está entre os Transtornos do Espectro do Autismo. Com 18 anos, chega na fase em que deseja namorar. O problema é que, para ele, se relacionar é bem mais complicado do que para outras pessoas.

A série aborda a temática de forma ampla e sensível: não focando somente na pessoa de Sam, mas levando o público a conhecer os membros da família, seus próprios sentimentos e como o diagnóstico do garoto afetou e continua afetando a relação entre eles. Não sei se seria um spoiler o que vou dizer a seguir (se não quiser arriscar, pare de ler por aqui...), mas não vi outras resenhas falando muito sobre a família de Sam. É claro que o diferencial desse seriado é a forma sensível como o autismo é tratado. No entanto, o que mais me marcou foi o modo como a autora Robia Rashid retratou o aspecto familiar em torno da doença. 

A família

Sam possui pai, mãe e irmã. Uma família tecnicamente normal e unida, mas, durante a série, são descortinados diversos fatores que revelam a dificuldade de cada um em lidar com o autismo dentro de casa. A mãe, Elsa, é a leoa. Que sempre fez tudo pelo filho e, como abriu mão de várias coisas para cuidar dele, diante da possível “independência” de Sam, agora vive um momento de conflitos internos. O pai, Doug, ama o menino, mas teve dificuldades em lidar com a doença do filho diante da sociedade. 

Da família, a personagem mais interessante na minha opinião é a irmã, Casey. A caçula passou a vida como coadjuvante, já que Sam é o centro das atenções. Inteligente e super atleta, nem suas conquistas pessoais a fazem ganhar um pouco da atenção dos pais. No entanto, ama demais o irmão e o protege em ambientes hostis, como no colégio, por exemplo.

Existem outros personagens ainda, que interagem de forma importante na série. Mas se eu contar sobre eles, aí sim seria spoiler. Você vai precisar assistir pra conhecer.

“Atypical” aborda os temas adolescentes e os desafios diante de uma doença que sempre foi estigmatizada e pouco conhecida pela sociedade. Mostra sensibilidade ao tratar do assunto na visão do próprio portador de autismo e de sua família. 

Você verá o autismo por outra ótica após assistir essa série. Realmente, vale a pena. Assiste aí e depois me conte o que achou. 


sábado, 29 de julho de 2017

Eu preciso falar sobre "Mr Selfridge"

Jeremy Piven é Harry Gordon Selfridge no seriado que estreou em 2013.
As quatro temporadas da série da ITV estão disponíveis na Netflix.

Para aqueles que curtem o combo "seriado + de época + biografia" vão curtir "Mr. Selfridge". A Netflix e suas infinitas indicações de acordo com as nossas preferências, já me apontava esta série. No entanto, fiquei reticente. Achei que podia ser monótona e muito pesada para minha atual "preguiça mental" para seriados difíceis. 

Depois de uma longa caminhada por seriados de época e que possuíam mulheres como protagonistas (The Crown, Call the midwife, Land Girls, Outlander, The Paradise), finalmente me rendi àquela imagem de um homem poderoso em sua mesa de madeira maciça. E fui positivamente surpreendida. (Adoro quando isso acontece!) E eu "engoli" a série. Assisti um episódio após o outro das quatro temporadas e terminei rapidinho (infelizmente).

Curiosa que sou, entre um episódio e outro, acabei pesquisando sobre o magnata no Google e, é claro, como seria normal de uma biografia, recebi aqueles spoilers direto na face! Mas isso não me atrapalhou em nada. Mr Selfridge já tinha me conquistado.  Figurino, fotografia, cenografia. Tudo impecável! Os atores podem causar certa estranheza a princípio, mas vão se tornando naturalmente parte da nossa família. 


O seriado



Cada personagem traz lições únicas e importantes. Eles se formam e crescem a cada temporada.

Início do século XX, período de grandes mudanças: sociais, tecnológicas ou comportamentais, "Mr. Selfridge" consegue abarcar diversas vertentes. Harry Gordon Selfridge é um estadunidense, visionário. Em viagem à Londres, percebe que aquela cidade, com todo seu potencial, ainda não possuía uma loja de departamentos como a "Marshall Field", onde ele havia sido "formado" profissionalmente. Para você ver que Selfridge está presente hoje ainda, a frase emblemática "O cliente tem sempre razão" é atribuída a Selfridge ou ao seu patrão na Field. No entanto, seu instinto empreendedor, trouxe para a Inglaterra uma nova visão de negócios. Mega promoções e atividades artísticas e culturais eram realizadas na loja e faziam parte das estratégias para atraírem clientes. E publicidade. Ahhh! A publicidade era uma grande paixão de Selfridge, que gastava rios de dinheiro com publicidade em jornais de grande circulação.

A série aborda a vida profissional e pessoal de Selfridge, da ascensão à queda. Caso você pesquise no Google e assista a série, verá que existem algumas diferenças da história real. Porém, isso não abala em nada a qualidade do seriado. Portanto, não vou me ater a repetir o que você pode achar em outros sites. 

Além disso, em uma época em que as roupas eram produzidas artesanalmente e os produtos eram mantidos longe das vistas dos clientes, Selfridge lotava os estoques e deixava à mostra para que todos pudessem ver, tocar e, assim, escolher. A Selfridge´s era uma loja voltada para a classe abastada e, como estratégia, colocou departamentos femininos em evidência, assim como perfumaria e cuidados com a pele. Vitrines eram tão valorizadas por Selfridge, que existiam funcionários com dons artísticos especialmente contratados para pensarem na decoração de acordo com cada campanha ou promoção nova na loja.

O primeiro episódio mostra a inauguração da Selfridge´s e já surgem vários personagens que nos acompanham durante todas as temporadas. As histórias de cada um se misturam com a do próprio Selfridge ou de sua loja. Desde a questão familiar, as aventuras amorosas (que, até mesmo, interferiram nos negócios), a irresponsabilidade com jogatinas, até a forma inovadora de gerenciar a empresa e os funcionários. Os sentimentos são evidenciados e a história de cada um, de Selfridge, seus filhos, gerentes e vendedores, passa a ser envolvente e nos dá a deliciosa sensação de serem parte de nossas próprias vidas. Com sinceridade, quando terminei o seriado, senti muita saudade. 


Por que indico?

Jeremy Piven deixou sua marca e fez um maravilhoso Harry Gordon Selfridge.

Para as quatro temporadas, a passagem de tempo é de cerca de 20 anos, que perpassa diversos acontecimentos da História mundial, como a Primeira Grande Guerra e suas consequências sociais. A passagem de tempo também possibilita vermos as diferenças nos vestuários, maquiagem e no pensamento cultural da época.

Indico, primeiramente, porque sou uma apaixonada por História e esse seriado passa por vários temas interessantes, tais como: a questão da mulher na sociedade, a mudança nos pensamentos culturais com relação ao vestuário, à maquiagem, as consequências sociais de uma guerra, entre outros. Além disso, "Mr Selfridge" é muito bem produzido, com atores ótimos e um figurino impecável. 

A figura feminina também é colocada em evidência. Desde sua mãe, sua esposa, suas filhas, suas amantes, suas funcionárias e suas amigas, diversas personagens fortes e importantes passam pela vida de Selfridge. Apesar dos momentos que revelam a fraqueza de Selfridge diante de um "rabo de saia", também existem os conselhos das mulheres, que ajudam o empresário em vários dilemas. No entanto, ele também faz a diferença na vida de algumas personagens, como suas funcionárias, quando lhes oferece e possibilita oportunidades de crescimento profissional, em um momento em que a mulher era desvalorizada e só servia para ser dona de casa e mãe, ele valoriza a mulher como profissional. E isso é bem pontuado na série. 

Na série existe uma clara demarcação entre as mulheres que são "diversão" e as que "são levadas a sério" na vida de Selfridge. Personagens como a esposa Rosie, a mãe Lois, a amiga Lady Mae e as a funcionárias Agnes Towler, Miss Mardle e Kitty fazem parte do mundo "sério" feminino da vida de Selfridge no seriado. Cada uma com sua parcela de importância, seja na vida pessoal do magnata ou na rotina da loja. No caso das funcionárias, é interessante vermos a visão diferenciada que Selfridge possui diante de um período ainda machista da história. 

"Mr. Selfridge" me marcou em tantos níveis que é difícil descrever. Para mim, foi mais que um entretenimento qualquer. É entretenimento com aprendizado e reflexão. Assista "Mr. Selfridge" com olhar crítico. Mesmo sabendo que não é fiel à verdadeira história de Selfridge, as partes importantes, que revelam os erros e acertos desse homem visionário, estão ali para assistirmos. 


Alguns links interessantes, caso você deseje conhecer mais sobre o empresário que mudou a visão do comércio:

Vídeo produzido pela Selfridge´s com os atores de "Mr. Selfridge"

Texto interessante sobre a vida de Harry Gordon Selfridge

Texto sobre as diferenças entre a história real e a ficção (em inglês)


Assista e me conte suas impressões sobre "Mr. Selfridge".

E agora? Qual seriado você me indica??