segunda-feira, 16 de julho de 2018

Amizade na vida real





Falar de amizade pra mim talvez seja uma das coisas mais complexas e difíceis. Já vivi tantos problemas em relação a amizade que é difícil até contabilizar. Foram traições, fofocas, falsidades... eu deveria desacreditar da amizade. Hoje sou bem mais solitária do que já fui um dia. Seleciono e sei diferenciar o amigo de um colega.

Tento fazer amizades, mas não fico me torturando para mantê-las. Bons amigos não vão embora. Podem se afastar, mas quando estão perto, é como se nunca tivessem ido. Bons amigos sabem elogiar, mas sabem criticar. Amizade é uma troca.

É bem diferente do que vivemos com as redes sociais atualmente, onde tudo é foto e alegria, mas na vida real, nos falta companhia. Temos milhares de amigos nas redes sociais na internet e vivemos sozinhos fisicamente. E aí, surge a reflexão que gera a poesia.


Amizade é aquele relacionamento de troca.
Momentos bons, momentos ruins, mas que são sempre de troca.
Amizade não suga o outro.
Amizade sustenta.


Amizade, um ouve,
E quando o outro precisa,
O outro ouve.

É troca
É parceria
É convivência.
É crescimento.


Amizade é necessidade
Necessidade de ter alguém
Pra ouvir e ser ouvido
Pra falar sério e pra brincar
Pra rir e pra chorar.


Amizade é troca.
Troca de piadas.
Troca de perdão.
Troca de carinho.
Troca de oração.


Amizade alimenta a alma
E satisfaz o coração.



Poesia by me! Clarissa Ramos

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Breve reflexão sobre o nascimento do machismo

Do Google

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele.” Pv 22:6

Eu não sou de discutir assuntos polêmicos nas redes sociais. Não me sinto expert em nada e não quero entrar em discussões desnecessárias ou perder amigos por coisas ou pessoas que não valem a pena. Mas algo aconteceu, me marcou e terei que comentar sobre o assunto.




Estava eu em um lugar, ambiente de trabalho, assistindo uma partida de futebol. Tinham dois meninos (mais de 20 anos) e mais dois meninos crianças (8 e 9 anos) e eu, que estava ali a trabalho, mas curtindo a partida, porque eu também gosto de esportes. Certo momento, eu levante, peguei um batom, voltei pra pra assistir a partida, passando o batom. O menino de 8 anos olhou pra mim e falou: "Tia, para de passar batom, aqui é coisa de homem." Eu não acreditei no que estava ouvindo. Eu ri no momento, pois era uma criança. Mas aquilo me marcou profundamente.

Depois fiquei refletindo sobre o que será desse menino quando ficar mais velho. Não, eu não estou de mimimi, pois o resto do tempo que passei com ele foram vários maus comportamentos. Comportamentos que mostravam uma criança mimada, que acha que todo mundo é "funcionário" dele e tem aquela visão tradicional de "coisas de menino" e "coisas de menina" e extremamente competitivo. É óbvio que aprendeu isso com os adultos com os quais convive.

É um menininho lindo, mas tenho medo do adulto que poderá se tornar se continuar sendo educado dessa forma. E porque eu vim comentar isso? Justamente para falar que o machista de hoje, foi a criança mal educada de ontem. O ambiente que crescemos, forma o nosso caráter.

Que visão que a criança teve do pai tratando a mãe, por exemplo? Quais são as respostas oferecidas para as perguntas dessas crianças... Esta situação me levou à reflexão. Achamos que as coisas que vem das crianças "espertinhas" são "fofas" e não pensamos no futuro. Mas o futuro pode se tornar bem perigoso.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Por mim e sobre mim

Foto: Dani Menezes

** 32 anos (10/06/1986)**

👶 Carioca de nascimento, mineira de coração. Moro em Juiz de Fora, mas já passei dois anos na cidade Maravilhosa, Belo Horizonte.
📝 Jornalista, estudante de História e professora de Teologia.
👰 Solteira, sem filhos
📖 Cristã/Batista
🤓 Apaixonada por nerds/geeks, apesar de não entender muita coisa. Sou daquelas que curtem filme de heróis mesmo rsss
🌎 Amo viajar!! Fui na Disney já, mas tinha cinco anos, então não conta muito. No Brasil, só não conheço nada da região Norte. Das outras, pelo menos uma cidade ou estado eu conheço. Meus pais sempre gostaram muito de viajar...
🏛️ Não sou do mato, nem da praia, apesar de já ter tido boas viagens nos dois... Gosto mesmo é de arquitetura, história, museus e prédios.
🗽 Sonho de consumo é NY e Israel (curso de Arqueologia)
🍱 Bebo muito: café!! E amo comida japa.
Clarissa: variação de clara. indica uma pessoa firme nas suas decisões. embora vaidosa e bastante voltada para si própria, desde criança ela exibe um comportamento maternal em relação a quem precisa de ajuda.
Clara: significa brilhante, ilustre e revela uma pessoa com forte senso crítico e muita racionalidade. Nem sempre os outros entendem seu autocontrole e seu perfeccionismo, mas essa é sua forma de lutar pelo sucesso. geralmente, progride muito na vida. do latim "brilhante, luzente, ilustre".
Lissa - grego "abelha" e divindade

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Depois desse bate-bola aí em cima, vou acrescentar alguns detalhes…
Talvez seja um exercício para mim mesma, talvez seja legal para quem acha que me conhece, mas não me conhece de verdade rsss (isso acontece muito, né?). Então vamos lá!

Dizem que mudamos nossa forma de pensar a cada sete anos. Acho que isso pode acontecer até em menos tempo, afinal, o tempo está passando cada vez mais rápido e cada vez mais coisas acontecem conosco. Essa mudança é muito real em mim. Talvez sonhos frustrados ou acontecimentos inesperados sejam a razão disso. Eu mudei demais.
Confesso que já fui mais sonhadora. Já tive mais objetivos na vida, inclusive objetivos a longo prazo. Admiro quem sabe o que quer. Confesso que eu já pensei saber e hoje não sei muito. Vivo cada dia. Tenho alguns sonhos antigos sim. Conhecer Israel é o principal deles. Este eu não escondo. Este todos que me conhecem mais profundamente sabem!
Eu amo o que faço. Também não escondo. Decidi ser jornalista com 15 anos. Digo que foi Deus que mandou, porque creio nisso. Entendo que, de alguma forma, tem a mão Dele e Ele tem algo para fazer através de mim nesta profissão. Confesso que, o que me levou a buscar o Jornalismo foi a televisão. Sou apaixonada por televisão e cinema. No entanto, ao conhecer as possibilidades de mercado, percebi que existia mais e me apaixonei por assessoria. Gosto de trabalhar por aquilo que acredito e tornar visível para as pessoas. E eu “visto a camisa” mesmo! Mês que vem faço 10 anos de formada.

Pra mim nada acontece por coincidência. Se coloquei minha vida nas mãos Dele, eu creio que Ele irá fazer muito do que eu já sonhei, porém, às vezes não é da forma que pensamos que seria. Meu último estágio foi na Prefeitura de Juiz de Fora. E eu gostei tanto da experiência, que desejava voltar. E não é que voltei? Oito anos depois, entrei pelas portas da mesma secretaria que trabalhei no final do meu período acadêmico. Nada é por acaso. Algumas vezes, oramos silenciosamente e Deus ouve e responde no tempo Dele e da forma Dele.

Já contei que sou apaixonada por TV né? hahaha Então… não era nem pelo jornalismo em si, era mesmo por filmes e novelas. O “sonho” original era ser atriz hahaha. Já fiz peça de teatro na escola, no curso de inglês, fiz parte de grupo de teatro na igreja (sim, eu já entrei gritando igual criança pela igreja! kkkkk) e já até fiz curso rápido (e caro…) com ator global. Mas, não fui atrás. Deixei pra lá por “n” fatores. No jornalismo, TV também não é algo fácil… A visibilidade é enorme, mas para cada repórter ou apresentador que você vê na telinha, existem diversos outros profissionais por trás para que ele possa estar ali. Estar na frente da câmera é uma chance em cem (sei lá, tô chutando rss)... mas tem que ter o perfil para a tela. Nem todo mundo fica bem e isso é fato.

Enfim, após essa confissão profunda (kkkk) não digo que fiquei frustrada não. A vida me levou por outros caminhos e, uns oito anos depois que formei, comecei a ter algumas oportunidades de fazer vídeo e isso já me deixa bem feliz. Aliás, agora todo mundo pode, né? Mas na minha época não era assim não (kkkk). Falei igual velha, né? Mas é verdade. Em dez anos o mundo deu uma reviravolta em termos de tecnologia e internet!!
Alguns sonhos e projetos, Deus já me permitiu realizar. Cursar Teologia foi um deles. A oportunidade de ir para Belo Horizonte, para o Seminário Teológico Carisma, morar sozinha, passar “altos perregues”, “mergulhar” dois anos na Palavra de Deus foi um tempo que eu desejava muito e nunca irei esquecer. Dentro dele, aconteceu algo muito interessante. Quando eu tinha uns 16 anos, fui a BH com uma amiga e nós duas éramos bem fãs do Diante do Trono na época. Sou “valadete” até hoje (hahaha), passei parte da adolescência acompanhando o Diante do Trono, incluindo ir a várias gravações do grupo e de alguns solos. Neste dia, fomos à Igreja Batista da Lagoinha e subimos no púlpito. É claro que fiquei encantada com aquela igreja linda, enorme e que eu via nas fitas (sim! Fitas!! kkkk). Quem diria (Deus diria!) que em 2011 seria eu naquele púlpito, como oradora da turma e falando para professores que foram exemplo para mim e, entre eles, o próprio Pr Márcio Valadão (fofo, maravilhoso!). Foi um momento único e de realização do sobrenatural do Senhor!

Lá no Carisma descobri que amo dar aulas. Amo ensinar a Palavra de Deus. De alguma forma (sobrenatural mesmo…) eu tenho alguma facilidade de transmitir o ensinamento para as pessoas. Quando voltei para Juiz de Fora, uma porta se abriu em um Seminário de uma igreja na cidade, mas, infelizmente, não consegui concluir aquela turma, pois comecei a trabalhar e os horários não conciliavam. Alguns anos depois, novamente de forma sobrenatural, fui convidada a ministrar aulas em um seminário onde dou aula hoje. Um tremendo desafio, pois são matérias densas, complexas e o material era preparado por mim mesma (no outro seminário eu já tinha a apostila-base).

Foram muitas as idas e vindas da minha vida. Foram muitas as quedas e muitas as vezes das quais levantei e continuei a andar. Fiquei quase três anos desempregada. Foi um “deserto” onde Deus tratou comigo de forma profunda. Eu nunca gostei de ficar completamente parada. Nesse período, eu arrumava alguma coisa para fazer: trabalhei em festas, fiz maquiagem para fora, estudei para concurso (foram muuuuiitasss provas, literalmente kkkk) e virei doceira. Descobri nesse período que tenho mão boa para doce.

Meu brigadeiro é bom, mas o que faz sucesso mesmo é meu beijinho (hahahahahahah)... a palha italiana também e o brigadeiro de café, então... Sempre me virei como podia. Aliás, quando morei em BH, fiz freela de assessoria e vendi balas e barrinhas de cereal nas aulas. Nunca tive vergonha de trabalhar. Era mais problemático ter que ficar pedindo dinheiro do que correr atrás do meu. Meu pai sempre me ajudou, afinal, ele era o fornecedor. Ao invés de me dar o peixe, ele me ensinava a pescar. Graças a Deus por isso, né?

Estudar é algo que gosto. E muito! Eu fico meio sem rumo quando não tenho nada na minha cabeça. Mas é estudar o que gosto. Estudar por prazer e não por necessidade. Esse é o meu objetivo ao cursar História. Era um sonho. Não tenho planos de ser isso ou aquilo, de concluir o curso assim ou “assado”... Gosto de adquirir conhecimento. É um hobby mesmo.

Acho que vou terminar por aqui. Sou mais complexa do que pode parecer externamente. Talvez, quando olhamos para alguém, não imaginamos tudo o que aquela pessoa enfrentou para estar ali. Escolhi essas partes da minha vida, porque acho que é o mais visível hoje… o exercício de se descrever é um dos mais difíceis que podemos realizar. Mas tá aí. Eu consegui, pelo menos em parte. Hehehe.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Recambiamento de um morador de rua empoderado

O dia em que o levamos de volta pra casa

*Algumas informações e nomes não foram colocados para preservar a identidade dos participantes, mas a história é real. O personagem principal é "aquele senhor". 

Enquanto nós do comboio que o levava estávamos apreensivo, aquele senhor dormia no carro e escolhia onde iríamos parar para lanchar.


Era uma quinta-feira e eu já sabia o que seria do meu dia. Estávamos na segunda tentativa de recambiar um morador de rua que se tornou personagem quase folclórico na cidade. Era uma terça-feira de julho, depois de um mês de planejamento, ele (o nome mais falado na os últimos tempos, que não vou colocar aqui para proteger a identidade) nos avisou que não viajaria aquele dia. Afinal, tinha pago banho e tosa para os três cachorros e agendado para o dia seguinte. Do bolso, lotado de papéis, entre notas, cartões de visita e anotações, nos apresentou a nota fiscal da loja: R$100, que iriam deixar seus animais prontos para a viagem. Os cachorros não poderiam viajar sujos como estavam. Sendo assim, buscamos uma conciliação para remarcar a data. Ficou agendado para dali há dois dias. Quinta-feira aquele senhor voltaria para sua cidade natal.

De pele morena, touca de lã e casaco verdes, sempre acompanhado por seus cachorros, aquele homem em situação de rua já havia aparecido diversas vezes nas redes sociais de notícias da cidade e em nossos e-mails institucionais. Ele dividia opiniões. Seu perfil acumulador gerava incômodo aos que passavam pelo coração da cidade. Meses antes, aparecera em um lugar onde milhares de pessoas transitam todos os dias, bem no centro da cidade. Se moradores de rua tendem a serem invisíveis, este senhor não era um deles. Ele se tornava um outro personagem da cidade, assim como são o “Tio do Apito” e a “Tia da Buchinha”. No entanto, ele decidiu ficar. Permaneceu naquele lugar e todos os dias acumulava suas coisas e espalhava lixo pelas pedras portuguesas do calçadão. Dois cachorros se tornaram três. E ele continuava ali, conversando com quem passava, dando comida aos pombos e cuidando dos seus companheiros de quatro patas. Os cães eram seus protetores.

As opiniões eram diversas. Existiam aqueles cidadãos que se sentiam extremamente incomodados com aquela figura no meio do caminho. Existiam aqueles que o ajudavam, com cobertores, colchões, roupas e comida. E existiam, principalmente, aqueles que se comoviam com o amor daquele senhor por seus cachorros. Este era o maior empecilho para o recambiamento daquele senhor. Enquanto os migrantes recebem passagens de ônibus para voltarem para suas cidades, ele não iria se não fosse com seus cachorros. Em uma das abordagens, perguntou ao abordador, taxista nos horários de folga, o profissional da Abordagem em quem tinha mais confiança: “Você me levaria para minha cidade em seu táxi?” O abordador respondeu que levaria, mas que os cachorros não poderiam ir no carro. A equipe viu nesse desejo, a oportunidade de tirar aquele senhor daquela situação.

O homem é aposentado, possui renda, família e uma casa em outra cidade do interior de Minas. Todavia, prefere morar na rua nesta cidade, que é maior. Morar nas ruas, acumulando  e espalhando muitas coisas nos lugares onde decidiu permanecer. Todos são livres para ir, vir ou permanecer, só não podem atrapalhar as vias. A realidade de muitos que vivem nas ruas é a quebra do vínculo familiar e os vícios em álcool ou outras drogas, que são os motivos que tiram centenas, talvez até milhares de pessoas de seus lares, mundo afora. A visão de alguém que dorme ao relento, sem higiene, sem o conforto de uma cama e o calor de um cobertor, é algo que incomoda a maioria das pessoas. E é claro, o senhor em questão, faz parte dessa estatística. Desnecessariamente, escolheu viver assim.

A partir da menção à cidade natal, iniciou-se um processo diferente nas abordagens: o de convencimento para que aquele senhor voltasse para casa. Depois de diversas tentativas, ele decidiu aceitar, já que seus cachorros seriam levados também. Carro e equipe do Canil Municipal seriam parceiros nessa jornada. Aqueles cães e seu dono eram personagens do dia a dia da cidade. Tudo precisava ser feito com detalhes e muito cuidado.

No primeiro dia marcado, ele se recusou a ir. Frustração foi o nosso sentimento. A expectativa daquela viagem era grande para todos os envolvidos. Afinal, aquele senhor recusava todo tipo de ajuda. Com pressão alta e problemas relacionados ao uso abusivo de bebida alcoolica, não aceitava o tratamento recomendado. Ele fazia o que queria, da maneira que bem entendia. Não adiantava exigir nada. A viagem havia sido marcada para quase um mês depois, por causa disso.

De acordo com ele, precisava de um exame de vista para poder voltar a dirigir. Exame este, que foi marcado e ele compareceu à consulta. Quando cheguei ao local marcado para a viagem, na primeira vez, ele reclamava do médico, pois não tinha sido o resultado que esperava: “as aparências enganam. O médico me ‘deu pau’ no exame porque vivo na rua”, explicou. Ahh, eu não contei algo antes. Seu Lucélio é muito inteligente. Conversa bem, se comunica com segurança. Ele sabe dar as respostas certas. É bastante convincente.  

Sendo assim, exame feito, cachorros tosados e limpos, chegou a hora de colocar o pé na estrada. Chegou a hora da tão aguardada viagem. Uma caminhonete com motorista e o veterinário, levaria os cachorros em segurança nas gaiolas próprias para o transporte. No outro carro iria, além de mim, o senhor a ser recambiado, o abordador e o motorista.

Nosso primeiro desafio foi o embarque dos cachorros. Precisou ser feito no centro da cidade, em horário de pico. E quem passava e não sabia o que estava acontecendo, entendia que estávamos levando embora os cachorros daquele senhor em situação de rua (mesmo que vissem o próprio dono dos animais, ajudando a embarcá-los). As pessoas têm tendência a tirar conclusões precipitadas e de acordo com o que preferem acreditar. Um advogado chegou a entregar o cartão de visita, caso aquele senhor precisasse de alguma ajuda.

Cães embarcados. O próximo desafio era embarcar os pertences do passageiro. Entre as gaiolas dos cachorros, foram colocadas diversas sacolas. Uma mala gigantesca ocupou todo o bagageiro do carro de passeio. Ainda tinha um carrinho de feira cheio de coisas, uma escada, outra mala gigantesca e mais sacolas. Afinal, nosso passageiro era um acumulador. Foi preciso achar outro carro. Assim que o carro chegou, com mais um motorista, aquele senhor embarcou com seus pertences. A previsão de saída oficial era às 14h. Saímos às 16h.

Pela estrada, aquele senhor empoderado, transportado em comboio aproveitou para adormecer no carro. Conversou, dormiu, acordou. Em certo momento: “Vamos parar para tomar um café!”, falou. Ele estava passeando. Enquanto isso, estávamos todos apreensivos com a viagem. Paramos. Fomos ao banheiro. Na saída, ele não quis lanchar naquele lugar, pois só tinha um atendente. “Lugar bom é lugar que atende bem. Vamos pra outra parada mais a frente”, ordenou. Sendo assim, partimos pra próxima parada.

Chegando lá, saiu do carro e já foi fazer o pedido. Um café com leite e um pão com manteiga na chapa. E ficou perguntando se não íamos pedir algo. Todos lancharam. No final, pegou nossa comanda e se dirigiu ao caixa. Ao me ver saindo da loja, gritou: “Menina, pega um chiclete pra você!”. “Não, moço. Obrigada, não precisa”, agradeci. Pegamos novamente a estrada até o destino final.

Na cidade natal, ele nos guiou até sua casa. Entramos em um bairro residencial, ruas de pedras, bem no estilo de cidade do interior. Paramos. Entramos em uma espécie de beco ou vila. Casas boas e um sobrado bem simples no meio. Dois andares apertadinhos entre duas casas. A casa estava abandonada há anos, mas sem nenhum vidro quebrado. Entramos na residência daquela cidade, pertencente a alguém que foi morar na rua de outra cidade.

Desembarcamos os cachorros e os pertences. Ele entrou na casa e nos chamou para mostrar tudo. Precisamos das lanternas dos celulares, já que não tinha luz na residência. Foi no segundo andar, voltou. Pegou um cobertor novo, de dentro de uma das caixas e estendeu para os cachorros deitarem. Dois ficaram, outro o seguiu até o lado de fora. Aquele senhor que vivia em situação de rua, escorou a porta de sua casa e foi procurar sua antiga companheira. De alguma fonte desconhecida, ouviu dizer que ela estaria em algum bairro que ele mesmo nem sabia onde era. Ele ficou na porta de casa, acompanhado dos seus cachorros, dizendo que ia procurá-la.

Voltamos daquela aventura. Saímos com sol a pino e quando voltamos, já era noite. Deixamos aquele morador de rua empoderado, inteligente e carismático em sua cidade natal, na esperança que mudasse de vida. Algumas semanas depois, ele estava de volta. Tarde da noite, recebi uma notificação e a foto. Aquele mesmo casaco verde. Cabelo e barba bem aparados. E várias coisas ao redor. Os cachorros? Ficaram em Cataguases. De acordo com ele, está só de passagem por Juiz de Fora. Notícias ele ainda manda. Com certeza está fazendo sucesso na cidade natal. E lá se vai quase um ano de uma das maiores aventuras da minha vida. Veremos as cenas dos próximos capítulos.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

"Paulo, o apóstolo de Cristo": Vale a pena ir ao cinema?

O filme é de 2018. Imagem do Google Images,
 
Um filme sobre o Novo Testamento, a partir do livro de Atos, é coisa rara. Com exceção de vários filmes sobre o Apocalipse, poucas são as obras que contam a história de personagens bíblicos do Novo Testamento. Já assistimos diversos filmes, desenhos e seriados sobre as histórias dos personagens do Velho Testamento e sobre Jesus. Mas e Paulo? E Pedro? E João? E os demais apóstolos, durante a implantação da Igreja? E a História do início da Igreja? É certo que os relatos não são tão completos quanto os do Velho Testamento, por isso é necessária uma pesquisa histórica e teológica mais profunda para conseguir fazer uma produção assim.
 
As telas de cinema estão exibindo um filme que busca enfrentar esse desafio. O ator que apresentou Jesus em "A Paixão de Cristo", Jim Caviezel, é o produtor executivo e ator na produção "Paulo, o apóstolo de Cristo". O longa é dirigido pelo jovem diretor e roteirista Andrew Hyatt. Enquando Cavieziel interpreta Lucas, James Faulkner, que atuou em diversos filmes e seriados importantes, está maravilhoso como o apóstolo Paulo. 

O filme...

O filme se passa no período em que Paulo já passou por julgamento em Roma e se encontra na prisão. Lucas corre riscos para visitar o amigo na cela e terminar de escrever o livro de Atos dos Apóstolos. É claro que a produção contém licenças históricas mas, em geral, é bem fiel ao texto bíblico, com diversas citações de Paulo durante os diálogos. O pano de fundo é a loucura da perseguição do Imperador romanos, Nero, aos cristãos, como eles tentam se proteger e como eles pretendem sair da cidade. E, nesses momentos, as cenas são bem fortes. 

Paulo (James Faulkner) e Lucas (Jim Cavieziel)
 O roteiro também possui sua própria interpretação teológica acerca do tão discutido "espinho na carne" de Paulo. Confesso aqui que, com essa parte, apesar de emocionante, eu não concordei rsss... Tenho minhas próprias ideias acerca do tal "espinho", entre outras observações. Mas não vou dar spoiler aqui e quero que vocês observem se conseguem reconhecer isso no filme.  


Outra licença histórica está relacionada com a inserção do núcleo do personagem de Olivier Martinez, um prefeito do Império Romano, responsável pela prisão onde Paulo está guardado até a execução. Ele interage com Lucas e o apóstolo. O casal, Priscila (Joanne Whalley) e Áquila (John Lynch), conhecidos nas Escrituras por acompanharem o ministério de Paulo, também são importantes no longa.

O que achei...

O roteiro não é linear e pode se tornar confuso para quem não conhece o livro de Atos. Para quem está acostumado com o relato bíblico, é totalmente inteligível. O filme é recheado de flashbacks, o que gerou crítica da imprensa. A produção é mais voltada para cristãos mesmo. Não é possível contar tudo o que Paulo fez em menos de 2 horas. A história renderia uma linda série, com certeza.

Como cristã, super recomendo assistir esse filme. Todo cristão deve conhecer e ser impactado com a história da Igreja Primitiva, as perseguições pelo qual passava e a vida em amor e comunidade em que estavam inseridos. A partir do momento em que estamos confortáveis em nossas vidas, em que não somos confrontados por causa do nosso amor a Jesus, temos a tendência de nos acomodarmos e oferecermos a Deus uma adoração monótona. Porém, Ele pede "sacrifício de louvor". Você tem oferecido algum sacrifício a Deus??

"Paulo, o apóstolo de Cristo" nos lembra o quanto o apóstolo sofreu pela causa do nosso Senhor e o quanto nossos irmãos do primeiro século sofreram para que Palavra de Deus chegasse a nós, hoje. Seja grato! Seja confrontado por esse grande filme!


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